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	<title>SOTEROPOLITANOS</title>
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		<title>“Xinga, Tonho Véio!”</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 00:12:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[ESPORTE]]></category>

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		<description><![CDATA[Técnico heptacampeão da Liga de Futebol das Muriçocas amarga derrotas consecutivas na direção do time que fundou há 10 anos Texto e fotos: Tom Correia A tarde é de sábado, o tempo é de chuva. Operários buscam abrigo nos tratores estacionados à beira do campo de São Brás, limite entre o bairro da Federação e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=27&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-33" title="Portuguesa do Vale 008" src="http://soteropolitanosdafederacao.files.wordpress.com/2009/06/portuguesa-do-vale-0081.jpg?w=594" alt="Portuguesa do Vale 008"   /></p>
<p style="text-align:justify;">Técnico heptacampeão da Liga de Futebol das Muriçocas amarga derrotas consecutivas na direção do time que fundou há 10 anos<br />
Texto e fotos: Tom Correia</p>
<p style="text-align:justify;">A tarde é de sábado, o tempo é de chuva. Operários buscam abrigo nos tratores estacionados à beira do campo de São Brás, limite entre o bairro da Federação e o Vale das Muriçocas, periferia de Salvador. A prefeitura está recapeando a pista da Avenida Sérgio de Carvalho, que atravessa toda a comunidade, embutida numa baixada que começa na Vasco da Gama. Há mais de uma década serviços de grande porte não eram vistos na região. Eleições municipais serão realizadas em quatro meses. Deve ser coincidência. Sem preleção, o técnico da Portuguesa distribui as camisas laranja de verdes listras horizontais que não combinam muito com os calções e os meiões vermelhos. Cada conjunto do único uniforme está espalhado no chão, debaixo das árvores plantadas no lado oposto do campo. O adversário do dia é o Juventude B, que também se prepara num local próximo. A lusa do Vale vem de duas derrotas seguidas, a última delas frente ao Juventude A: um humilhante 6 a 1. Na véspera das partidas, Tonho Véio, 54, sempre fica ansioso e sonha com resultados. Dessa vez estava otimista, o vaticínio fora favorável. Sonhou com a vitória do time que fundou em 1998 após a dissolução do mítico Esperança, dos grandes Orlando e Milton, Luisinho e Osmar, Dinho e Everaldo. A equipe chegou ao heptacampeonato da Liga batendo um a um como se fosse uma máquina húngara de fazer gols, um papa-títulos da Vila Belmiro. O céu se fecha e grossos pingos d’água se precipitam sobre o campo de terra batida onde os jogadores da Portuguesa se abraçam, formando um círculo. Um padre-nosso e uma ave-maria precedem um grito de guerra apoiado por aplausos. Todos aguardam pelo início de mais uma rodada da competição disputada por 14 equipes. Ninguém espera mais pelo final da temporada do que Tonho. Lá se vão 10 anos desde o último troféu de campeão. Para ele não importa. “Não bebo, não gosto de festa. Esse time é a minha alegria, o futebol é a minha ‘baixa’, é o que me deixa de coração espantado&#8230;”, se declara, com o forte sotaque trazido de São Gonçalo dos Campos, terra natal, 108 quilômetros interior baiano adentro. O árbitro aciona o apito.<span id="more-27"></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Agonia de treinador</strong><br />
Léo, Décio e Rogério; Paulo Bau, Valdir e Cláudio; Pereira, Vado e Adriano. O time escalado pelo homem negro, grisalho, franzino e de estatura mediana é formado na sua maioria por moradores do Vale. São eletricistas, carregadores, pedreiros, vendedores de tinta, porteiros e metalúrgicos que, durante 70 minutos, esquecem o desemprego. Os biscates são a alternativa de sobrevivência. Mesmo sem conseguir criar chances claras de gol, a Portuguesa domina as ações. O Juventude B se defende, rifando a bola, sem organizar um contra-ataque consciente. Léo, o jovem goleiro cego do olho esquerdo, é um calado semi-espectador. Veste-se quase todo de preto, involuntariamente buscando inspiração no lendário Aranha Negra. Aos 22 minutos, numa saída equivocada do zagueiro Décio, Jairo rouba a bola e toca para Isaías marcar Juventude 1 a 0. Tonho Véio agita-se na beira do campo. O semblante acusa o golpe. Rugas bem marcadas aparecem na testa. Sua voz rouca é descompensada, desprovida da modulação ideal: de perto é alta demais; a meia distância, quase inaudível. Seus trajes de diretor técnico são a representação espontânea de um Luxemburgo ao contrário: camisa de empresa de ônibus para a Operação Carnaval 2007, calça jeans de barra dobrada e sandálias havaianas verde-pálido. Ele acende o primeiro hollywood de uma série de cinco. A partida é renhida. Não há poesia ou lirismo, apenas prosa endurecida. Botinadas concretas produzem um som rascante do atrito de canela contra canela. Raça e força de homens rudes suplantam os escassos instantes de técnica, quase todos saindo dos pés de Pereira, o camisa 10 da Portuguesa. Ele distribui a bola utilizando um bom repertório de dribles, lançamentos e passes precisos. Seu único pecado é não finalizar as jogadas que inicia. É o intocável do time. Não recebe reprimenda ou orientação por parte do comandante.</p>
<p style="text-align:justify;">Tonho tem 30 anos de experiência como carpinteiro, ofício aprendido na época em que trabalhou como servente ao chegar à capital baiana, em 1974. “Trabalho fichado em obra, mas agora estou desempregado aí porque as empresas estão chiando por causa desse negócio de idade”, justifica-se. A faixa etária dos seus jogadores situa-se entre os 23 e os 42 anos; a escolaridade é baixa, poucos concluíram o ensino médio. Dentre todos, só o dono do time conheceu os brejos, as hortas e a lama que invadia as primeiras casas do Vale das Muriçocas, construídas no final dos anos 70 à base de mutirões. Conheceu também as valas de esgoto a céu aberto que atraíam quantidade absurda de insetos, o que deu origem ao nome do lugar. Falta a favor do adversário. “Excelença, vamo olhá diretcho!”, Tonho contesta, num dos poucos momentos em que tenta intervir. Acompanhando os lances de perto, o árbitro criterioso até seria discreto se não fosse pelo moicano, o brinco e as tatuagens. Vagas orientações táticas são recebidas com indiferença. A voz rouca e débil do líder parece não chegar aos ouvidos dos 10 comandados, que lhe pediram para não xingar durante os jogos. O cessar-fogo do boca-suja começara há duas rodadas, há duas derrotas. O time ressente-se do primeiro gol e cede espaço ao Juventude, que cresce. Aos 28, numa jogada despretensiosa, Jairo domina na entrada da área e coloca de chapa, no canto. Léo, caladão, aceita. 2 a 0. Tonho não sabe quanto tempo ainda resta do primeiro tempo: ninguém da equipe trouxe relógio. Ele passa a mão no rosto, enfia o dedo no nariz, no ouvido. Acende um novo cigarro e abre um papel amarrotado que envolve as carteirinhas dos jogadores. Escolhe uma delas e dirige-se à mesa da comissão, preparando mudanças.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Fé, cigarro e boca limpa</strong><br />
Tonho Véio não possui religião e nem precisa dela para falar diretamente com o seu Deus. Na Muriçoca, as opções para quem busca consolo espiritual são variadas. Os templos católicos, protestantes e afro-religiosos convivem lado a lado abocanhando, cada um, de acordo com seus ritos, a fatia de fiéis provedores. Na barraquinha do Pai Helinho, localizada no trecho comercial mais ativo da Sérgio de Carvalho, folhas de descarrego são vendidas aos que necessitam recarregar as energias, mudar o rumo das coisas que estão dando errado na vida. No Terreiro de Dona Boneca, trabalhos podem ser encomendados para que caminhos sejam abertos à prosperidade. Tonho não apela para macumba. Quer vencer na bola, de preferência jogando bonito, como na época em que regia o Esperança. O padrão amarelo e preto que aniquilava os rivais como se fosse o Ypiranga dos anos 20, o Peñarol três vezes campeão do mundo. No intervalo, o técnico-carpinteiro faz três alterações de uma só vez. Alguns questionam, mas respeitam a decisão. Ele queima mais um hollywood ao mesmo tempo em que afirma não entender a atuação do time. A falha de Décio ocasiona sua substituição. “É o melhor zagueiro que nóis tem, mas vou colocá outro. Testá logo aquela miséra ali&#8230; se não prestá, não vem mais&#8230;”, revela ao apontar para André, vestido com a camisa pelo avesso. Supersticioso, grita duas vezes ao ser alertado pelo detalhe. “André, desavessa a camisa!”. No segundo tempo a Portuguesa volta a pressionar. O novo zagueiro tem boa atuação, dando mais consistência ao setor defensivo. Numa cobrança de escanteio, Bau perde um gol de cabeça com o goleiro vendido. Tonho demonstra abatimento diante do terceiro insucesso consecutivo que se esculpia. O sonho da véspera sendo descartado a cada minuto. Outro cigarro. Num contra-ataque fulminante, o mais do que encolhido Juventude encomenda o corpo. De novo Isaías. 3 a 0. Vado ainda diminui de pênalti, ensaiando uma reação tão pálida quanto o verde das sandálias do técnico. Já sob um sol que projetava sombras esquálidas, o árbitro-punk apita o final. Em três jogos, 11 gols sofridos e dois marcados. A campanha emudece o mestre de carpintaria que, cabisbaixo, recolhe e conta os pares de meiões, camisas e calções imundos de barro. Os jogadores discutem entre si, alguns trocam as velhas acusações dos atacantes e defensores; outros bebem água no gargalo de um vasilhame que passa de boca em boca, enrolado num saco plástico. Rapidamente cada um toma seu rumo. Não há resenha em dia de derrotas; nas vitórias, o consumo de cerveja é considerável. “Eu não pude xingá porque eles me proibiro e, nessas três partida que eu não xinguei, o time perdeu&#8230;”, argumenta o ex-hepta, tentando explicar a preocupante seqüência. A última das bitucas é arremessada no ar.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-32" title="Portuguesa do Vale 009" src="http://soteropolitanosdafederacao.files.wordpress.com/2009/06/portuguesa-do-vale-009.jpg?w=594" alt="Portuguesa do Vale 009"   /></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Esperança no passado</strong><br />
Quando Antônio de Jesus dos Santos nasceu, no dia 16 de novembro de 1954, os torcedores brasileiros ainda se recuperavam de dois traumas em Copas do Mundo. As derrotas para o Uruguai, em 1950, e para a Hungria, em 1954, inspiraram Nelson Rodrigues a cunhar o termo “complexo de vira-latas”, ilustrando o sentimento nacional de impotência diante do estrangeiro, até então considerado superior. Entre o cronista e o carpinteiro, uma afinidade em três cores. “Lá fora eu sou Fluminense, sou São Paulo&#8230; aqui eu sou Bahia&#8230; tudo que é tricolor, eu sou”, confessa, empolgado. Pai de Antônio, Karina, Adriano e Maurício, avô de dois meninos e uma menina, ele se retrai ao tocar no assunto do quinto filho mais novo, morto em circunstâncias não reveladas. Mantendo-se à parte dos eventos promovidos pela Associação de Moradores do Vale, ele ajudou os vizinhos a construir suas casas; também ajustou as manilhas do sistema de esgoto instalado no final dos anos 80. Os vizinhos se beneficiaram da força-trabalho de Tonho Véio, mas a recíproca não é assim tão verdadeira quando se trata da sua paixão. “Se depender do pessoal da comunidade aí, nóis nunca bota um time no campeonato. Nóis bota porque tamos tendo coragem”, queixa-se. Apenas Pedro, dono de um depósito de bebidas, contribui quinzenalmente com as taxas cobradas pela Liga. A cada rodada, as equipes são obrigadas a pagar as despesas com a contratação do árbitro. Em média, cada jogador colabora com R$ 2, mas nem sempre todos dispõem da quantia. Quem tem mais, cobre a falta do outro. A casa nº 14 da Avenida Vera está a meio caminho da longa escadaria que dá acesso à  Rua Pedro Gama, na Federação. A construção é simples, como todas as outras que formam os corredores estreitos do ambiente. Na fachada, duas gaiolas são habitadas por aves desestimuladas a cantar, ao menos no turno vespertino. Sobre um ressalto, Véio ergueu sua habitação bifuncional: sede do time e moradia para esposa, filhos e netos. Nos varais improvisados na laje descoberta, o padrão laranja é estendido ao sol com os números das camisas expostos de ponta-cabeça, como o futebol que vem sendo jogado pelo time. Em casa, apenas um troféu de terceiro lugar foi mostrado com orgulho solidário pela mulher. Do “meio mundo de troféus e medalhas” da Era Esperança nada ficou por ali. Ao recordar o imbróglio envolvendo o regulamento do campeonato de 1999, ano em que a lusa substituiu o azarado time do São José, Tonho se exalta contra o que considera uma injustiça. “Nóis com 13 ponto jogamo um mata-mata contra um time que entrou pela janela com seis ponto e que tirou a gente do campeonato!”, protesta, com fôlego. A derrota por 1 a 0 ainda seria contestada anos depois junto à Liga, que, irredutível, manteve a decisão. Entre certames “oficiais” e torneios são cinco os vice-campeonatos acumulados.</p>
<p style="text-align:justify;">A temporada 2008 foi aberta há dois meses. Até dezembro, quando o novo campeão do Vale será conhecido, grande quantidade de barro ainda deverá ser extraída das chuteiras utilizadas no campo de São Brás. Cada turno é dividido em dois grupos de sete equipes, das quais as quatro primeiras colocadas se classificam para as fases seguintes até a decisão em jogo único. A Portuguesa não avançaria caso o campeonato fosse encerrado após o 3 a 1. Ao invés de estudar estratégias ou posturas táticas que revertam o panorama do time na competição, o Véio Tonho prefere acreditar no “Imponderável de Almeida” rodrigueano. “Quando eu xingo, meu time ganha&#8230; vou voltar a xingá de novo e eles vão ganhá&#8230;”, sentencia, enquanto se despede com algumas ferramentas na mão, pronto para assentar a milionésima fechadura, a milionésima porta.<br />
(Junho de 2008)</p>
<p style="text-align:justify;">* Escritor, fotógrafo e estudante de Jornalismo. Prêmio Braskem de Literatura 2002 com o livro <em>Memorial dos medíocres </em> (Editora Casa de Palavras). Colunista da revista eletrônica <em>Verbo21</em>. Edita o blog  <em>A caverna do escriba</em> e colabora com a <em>Soteropolitanos</em>.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-34" title="Portuguesa do Vale 001" src="http://soteropolitanosdafederacao.files.wordpress.com/2009/06/portuguesa-do-vale-001.jpg?w=594" alt="Portuguesa do Vale 001"   /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/27/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=27&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>De Chateaubriand aos dias atuais</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2007 15:01:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Marli Santana “Entro aqui todos os dias como se estivesse entrando pela primeira vez”. Essa afirmação é de Carlos Alberto Santiago, 61 anos, há mais de 44 anos na Tv Itapoan como supervisor técnico. Precursora da televisão na Bahia, a Itapoan passou por altos e baixos, como o incêndio que em 1975 destruiu suas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=13&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmN_nIla6VI/AAAAAAAAAgc/vA04x2g709Y/s1600-h/IMGA0216.JPG"><img style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" src="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmN_nIla6VI/AAAAAAAAAgc/vA04x2g709Y/s320/IMGA0216.JPG" border="0" alt="" /></a></p>
<p><span style="font-size:180%;color:#990000;font-family:arial;"> </span></p>
<p><span style="font-size:180%;color:#990000;font-family:Arial;"> </span></p>
<p>por Marli Santana</p>
<p>“Entro aqui todos os dias como se estivesse entrando pela primeira vez”. Essa afirmação é de Carlos Alberto Santiago, 61 anos, há mais de 44 anos na Tv Itapoan como supervisor técnico. Precursora da televisão na Bahia, a Itapoan passou por altos e baixos, como o incêndio que em 1975 destruiu suas instalações. A emissora voltou a funcionar, um ano depois, e até hoje está com uma programação voltada para a informação, a prestação de serviços e o entretenimento.<span id="more-13"></span><br />
A Tv Itapoan foi instalada na Federação na década de 60. Ela produzia seus próprios programas como os telejornais locais “Repórter Esso”, “Jornal da Petrobrás” e programas de auditório. Nessa época o bairro ainda era pouco habitado e as ruas não tinham pavimentação. Hoje a Federação já possui muitas ladeiras, diversas casas e é considerado um bairro residencial e comercial.</p>
<p>A emissora passou por muitas dificuldades, dentre elas o golpe militar que trouxe o medo, cassou a liberdade, principalmente a liberdade de imprensa. Todos os veículos de comunicação foram censurados e com a emissora não foi diferente. Antes de irem ao ar, todos os programas da Itapoan tinham que passar pelo censor e os funcionários tinham que andar com um passe para não serem presos pela polícia. Segundo Carlos Alberto Santiago, aqueles eram tempos difíceis.</p>
<p>Além da ditadura, um outro golpe atingiu a emissora. Em 1975, um curto-circuito no estúdio A destruiu completamente as instalações da Itapoan. Carlos Santiago, que morava perto, foi até o local e viu as chamas consumirem a emissora. Para ele, foi uma grande perda. “Para mim foi como se estivesse morrendo um parente meu. Eu não me conformei quando vi que tudo estava sendo destruído”, relata Santiago.</p>
<p>Quem também presenciou o incêndio foi Edson Santana, morador da Federação há 41 anos. Segundo ele, o pavor tomou conta de todos os moradores da área: “Os moradores abandonaram suas casas apavorados pedindo socorro porque o pensamento era que o pavilhão inteiro fosse pegar fogo”, relembra Santana. Nenhuma casa foi atingida e ninguém saiu ferido.</p>
<p>Com a reconstrução, a emissora adquiriu equipamentos mais modernos. De acordo com Ricardo Luzbel, gerente de programação e jornalismo da Tv Itapoan há 22 anos, a evolução tecnológica deu mais rapidez e dinamismo à emissora: “Hoje você pode pegar uma matéria e gerar via satélite”, diz Luzbel. Ainda de acordo com o gerente, o jornalismo da Tv Itapoan dá atenção à população sofrida de salvador. Ele cita como exemplo o Balanço Geral e diz que este é um programa que mostra a realidade e ajuda as pessoas. Celina Ferreira, 65 anos, moradora da Federação há 26 anos confirma que sua filha teve um problema na perna e quem a ajudou a conseguir um médico foi o programa de Raimundo Varela.</p>
<p>Apesar dos apuros pelos quais passou, como ficar seis meses sem receber dinheiro, na época dos Diários Associados, Santiago diz nunca ter se arrependido de nada. Para ele, a Tv Itapoan é uma escola porque a maioria dos profissionais de outras emissoras iniciou a sua carreira lá. Esse é o caso de Eliezer Adu, 20 anos, estagiário de administração. Há seis meses na emissora, ele diz estar gostando muito da primeira experiência e acredita que teve muita sorte. Para quem está começando, Carlinhos, como é conhecido, dá um conselho: “Se vier trabalhar na tv, ser jornalista, tem que fazer com amor e gostar muito. Ou você nasce para a televisão ou ela nasce para você”.<br />
(junho de 2005)</p>
<p><a href="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rit5Sr6TXvI/AAAAAAAAAOo/3vx1MnlNi6g/s1600-h/IMGA0216.JPG"></a></p>
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		<title>Segundas de Fé e Tradição</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2007 18:50:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Rodrigo Marques Segunda-feira é um dia especial na Federação. É quando centenas de pessoas sobem os 14 degraus que levam à pequena igreja de São Lázaro para agradecer e fazer pedidos relacionados à saúde e à cura de doenças. A capela que foi erguida ainda no período colonial, no século XVIII, tem uma significativa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=12&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p>por Rodrigo Marques</p>
<p>Segunda-feira é um dia especial na Federação. É quando centenas de pessoas sobem os 14 degraus que levam à pequena igreja de São Lázaro para agradecer e fazer pedidos relacionados à saúde e à cura de doenças. A capela que foi erguida ainda no período colonial, no século XVIII, tem uma significativa importância na história da tradição Católica e do Candomblé na Bahia. O sincretismo religioso também faz parte da identidade histórica do santuário, onde, até hoje, algumas baianas reverenciam São Lázaro como Omolu e São Roque, que é o outro padroeiro do santuário, como Obaluaê, através do conhecido banho de pipoca.<span id="more-12"></span></p>
<p>A tradição e o sincretismo religioso que existem na igreja de São Lázaro estão ligados a fatores históricos e geográficos. Segundo o Padre Marcos Piatek, que coordena a Paróquia Ressurreição do Senhor, à qual pertence o santuário de São Lázaro, a Federação era um lugar isolado do centro da cidade, para onde eram enviadas as pessoas com doenças contagiosas e também os escravos doentes trazidos da África. Tudo isso acontecia devido à existência do Hospital de São Lázaro, conhecido por Lazareto, que era ligado à igreja no período colonial.</p>
<p>A crença em São Lázaro e em São Roque como santos que intercedem nas curas das doenças é algo bastante presente entre os visitantes do santuário na Federação. “Ganho muitas bênçãos para mim e para minha família”, contou Dona Celina Ferreira da Silva, uma funcionária pública de 65 anos que sempre vai às missas realizadas nas segundas-feiras, para agradecer pelas graças e pedir pela melhora de seu marido, que está muito doente. Assim como Dona Celina, o jovem casal Vandergleison dos Santos, 25 anos e Adelita de Jesus, 32, explica que comparecem às celebrações como forma de agradecimento pela cura do seu filho.</p>
<p>As figuras de São Lázaro e São Roque estão diretamente ligadas aos aspectos referentes às doenças. São Lázaro foi citado em uma das parábolas de Jesus, no evangelho de São Lucas, como um pobre mendigo cheio de feridas na pele, que pedia à porta de um homem rico. Lázaro não tinha amigos, mas somente cachorros em sua companhia. Já São Roque foi um jovem médico francês que viveu na Idade Média e abriu mão da sua riqueza para seguir uma vida próxima à Cristo. Ele se tornou santo por conseguir uma cura milagrosa sobre a peste negra que contaminou a Europa naquela época.</p>
<p><strong>Tradição</strong><br />
<a href="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RhqlWE97kCI/AAAAAAAAAFU/Zc4pme65v5E/s1600-h/vasinhoteste.gif"></a>A existência do sincretismo religioso é muito forte na Bahia e isso tem uma clara fundamentação histórica. Para o padre Edson Menezes, reitor do Seminário Central São João Maria Vianney e professor de teologia na Universidade Católica do Salvador, a obrigatoriedade de ser católico, que foi imposta pela igreja e pelo poder político durante o período colonial, marcou o início dessa forma de expressão religiosa: “Os negros passaram a buscar uma forma de burlar as autoridades cultuando os santos católicos, buscando elementos em comum em relação aos orixás. A partir daí, essa manifestação passou a se fortalecer”, explica padre Edson.</p>
<p>Segundo o livro “Os Orixás”, publicado pela Editora Três, Omolu e Obaluaê são variações do orixá Xapanã (nome proibido no Candomblé e na Umbanda), sendo Omolu sua forma jovem e Obaluaê o Orixá representado na velhice. A relação com São Lázaro e São Roque se estabelece, porque no Candomblé a figura de Omolu-Obaluaê tem uma relação de poder sobre as doenças, principalmente as epidêmicas. Faz parte da essência desse Orixá tanto causar, quanto possibilitar a cura de uma enfermidade.</p>
<p>Foi exatamente a imposição religiosa existente no Brasil Colônia, que fez com que os negros passassem a relacionar São Lázaro e São Roque à Omolu-Obaluaê. Com a construção da capela de São Lázaro na Federação, no início do século XVIII, antes mesmo da igreja do Bonfim, muitos escravos, doentes ou não, iniciaram o sincretismo que permanece como uma lembrança de quando o Candomblé era apenas uma seita.</p>
<p>Antoniel Ataíde Bispo, diretor-secretário da Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (FENACAB) há 25 anos, ressalta que o grande divisor de águas para que o candomblé se desvinculasse da Igreja foi a criação da própria Federação, em 24 de novembro de 1946. “Nós com muita honra pertencemos hoje a uma religião Afro-Brasileira”, ressalta Antoniel, que também é babalorixá do terreiro Omi Natosse, localizado no bairro de Cidade Nova em Salvador.</p>
<p><strong><br />
Pipoca</strong><br />
Outro forte ponto de devoção do santuário de São Lázaro está relacionado às baianas que ficam na parte externa da igreja dando o conhecido banho de pipoca nas pessoas que participam das missas realizadas nas segundas-feiras. A yalorixá Janete, que há 14 anos se desloca do seu terreiro, Oiá Massi, localizado no município de Lauro de Freitas, diz que vem a Federação, assim como todas as outras integrantes do candomblé para dar banho de pipoca, em cumprimento e agradecimento a uma promessa por uma graça alcançada pela ajuda de São Lázaro (Omolu) e São Roque (Obaluaê).</p>
<p>O babalorixá Alberto, do terreiro Ilê Axé Iá Omi Nidê, localizado na Federação, considera o banho de pipoca como uma “fonte de energia”. Muitas pessoas tomam o banho antes ou depois das celebrações religiosas, como o tarólogo Ulisses Guimarães, 31 anos, que defende o banho como um “ato religioso em que a flor de Obaluaê, a pipoca, faz a limpeza do corpo”. Ulisses também possui uma relação com o Candomblé e participa das missas nos dias de São Lázaro. “Tudo tem que ser feito de livre e espontânea vontade”, destacou a mãe-de-santo Janete que ainda brincou dizendo que o banho de pipoca é dado “do mendigo ao doutor, até mesmo em cachorro”. Dona Walmirete, que também dá banhos de pipoca em frente ao santuário de São Lázaro, conta que vai a Federação todas as segundas-feiras para cumprir uma promessa referente à cura de uma doença na sua perna esquerda.</p>
<p>O superintendente de coordenação estadual da FENACAB, o babalorixá Roberto, alega que a pipoca não deve ser usada como ocorre na Federação. “Só se deve jogar a pipoca, quando existe o ato a Obaluaê”, explica Babá Roberto. Ele ainda diz que ainda há pouco esclarecimento por parte de algumas integrantes do Candomblé, fazendo com que esses elementos que envolvem a religiosidade, como o banho de pipoca e o próprio sincretismo venham a acontecer.</p>
<p><strong><br />
Devoção</strong><br />
Dentre as centenas de católicos que visitam a igreja de São Lázaro no dia do padroeiro (Segunda-feira), algumas em especial visitam a Capela dos Milagres, situada dentro do santuário, para deixar os “Ex-Votos”. Segundo uma publicação do padre Marcos Piatek no site da Paróquia Ressurreição do Senhor, esses objetos “exteriorizam o favor recebido de Deus pela graça de São Lázaro”. Os devotos deixam fotografias, muletas, cartas, mas principalmente partes do corpo feitas em parafina, que obtiveram cura, como: corações, braços, pernas, fígados e etc.</p>
<p>Quatro missas são realizadas no dia de São Lázaro. Entretanto, em toda primeira segunda-feira do mês, há a celebração da missa Afro. Nessas celebrações estão presentes elementos da cultura Afro-Baiana, como cantos tocados com pandeiros, maracás e atabaques, além da oferenda de elementos como o fogo, a água, frutas, dentre outros. O padre Marcos diz que: “O evangelho tem que chegar à cultura de cada povo”, destacando assim a importância que esse tipo de missa exerce na identificação do povo negro baiano com a Igreja.<br />
(junho de 2005)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/12/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=12&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um bairro antenado</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2007 18:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[Constituído por ladeiras e rodeado de emissoras, a Federação é um local de transformações para a cidade. Dessa forma, de antena em antena, sua história vai sendo contada. por Danusa Maria Ao ligarmos um aparelho de televisão em casa, raramente paramos para nos perguntar como se dá a transmissão das imagens e em que local [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=10&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://soteropolitanosdafederacao.files.wordpress.com/2007/10/antenab.jpg?w=594" alt="antenab.jpg" align="right" />Constituído por ladeiras e rodeado de emissoras, a Federação é um local de transformações para a cidade. Dessa forma, de antena em antena, sua história vai sendo contada.<br />
por Danusa Maria</p>
<p>Ao ligarmos um aparelho de televisão em casa, raramente paramos para nos perguntar como se dá a transmissão das imagens e em que local elas foram feitas. Talvez muitos desconheçam, mas é no bairro da Federação que são produzidos e transmitidos todos os programas locais que vão ao ar diariamente em Salvador. Esse privilégio tem uma explicação: trata-se do bairro mais alto da cidade, e esse foi um fator decisivo para a instalação das emissoras no local.</p>
<p><span id="more-10"></span></p>
<p>A Federação comporta quatro antenas de emissoras de TV. A Aratu e a TVE, ficam localizadas na rua Pedro Gama, a TV Itapoã fica no Jardim Federação e a TV Bahia no Alto do Gantois. Cada emissora possui uma antena que mede em média 16 metros de altura. Elas possuem uma área de cobertura que abrange a capital, toda região metropolitana desde Valença, passando pelo recôncavo indo até Camaçari. As antigas antenas da década de 60 não passavam dos 5 metros e sua área de cobertura era mais restrita. Nesses modelos mais antigos, era comum a ocorrência de chiados e ruídos durante a programação. Porém, hoje em dia, com o avanço da tecnologia raramente isso acontece. Segundo o engenheiro elétrico-eletrônico Marcelo Gomes, do setor de engenharia da TV Itapoan, o aparecimento dos chiados possui dia, data e hora marcada. O fenômeno acontece quando ocorre interferência do sol no satélite, nos meses de março e setembro, período em que o astro sofre grandes explosões. Gomes afirma que os cálculos feitos para a precisão do acontecimento “dependem da localização do satélite” e podem ser encontrados no site <a href="http://www.embratel.com.br/">http://www.embratel.com.br/</a>.</p>
<p>O processo de produção da imagem ocorre da seguinte forma: a produção local envia o sinal para o controle geral chamado de master. Logo após, o sinal é enviado para a central técnica, que, por sua vez, se ramifica enviando o sinal para a subida do satélite que vai para o interior do estado. Só então, as imagens são enviadas para um transmissor da capital, finalizou Gomes. Esse processo ocorre em fração de segundos e por isso é importante um bairro que possua localização privilegiada. Em Salvador, Brotas também seria uma boa opção para as antenas. Porém, no período de instalação das emissoras, o bairro já era muito habitado, fato que tornou o local sem disponibilidade estrutural para agregá-las.</p>
<p>Um pouco de história – Em 1924, a Rádio Sociedade inaugurava a primeira emissora da Federação. Nessa época, o bairro era formado por fazendas, as ruas eram vazias e o bonde fornecia deslocamento para outras áreas da cidade. Sentado no batente perto à sua casa, que fica ao lado da TV Itapoá, aos 79 anos, Gilberto Apolinário se lembra bem dessa época. Antigo morador do bairro, ele é a memória viva da história da Federação e se orgulha de ter visto sua evolução de tão perto. Apolinário viveu a época de transição do rádio para a TV e se recorda dos momentos em que os moradores se reuniam em uma das poucas casas que possuía o aparelho de televisão, para ver de perto a novidade.</p>
<p>“Os pobres não tinham TV, meu pai era pobre e só possuía um rádio em casa”, comentou Apolinário, que era freqüentador assíduo das festinhas que as emissoras produziam. Já a vendedora de geladinho Valdilha Maria de Jesus, que trabalha em um ponto ao lado do cemitério do Campo Santo, passou a morar na Federação com 15 anos e, nessa época, a TV não era mais uma novidade. “Lembro-me bem das novelas que as rádios locais produziam, não perdia uma”, relembrou Valdilha com ar de saudade. A primeira emissora de televisão instalada em Salvador foi a TV Itapoan, na época pertencente aos Diários e Emissoras Associadas, empresa de Assis Chateuabriant. Logo após vieram a Aratu, a TVE e a TV Bahia.</p>
<p>Durante uma caminhada pelo bairro, nota-se que as antenas dessas diversas emissoras não apenas compõem o local. Elas também são frutos da imaginação popular e rendem histórias dignas das chamadas lendas urbanas. O próprio Gilberto Apolinário é capaz de contar histórias inimagináveis. Em uma delas, ele conta que desde que instalaram uma antena ao lado de sua casa, seu maior temor é que ela caia em cima da propriedade e destrua o esforço de uma vida. O tamanho das antenas, além do temor, gera curiosidades nos moradores do bairro. A professora Marilene da Silva, por exemplo, já parou para se perguntar como se fazem antenas tão altas e como alguém é capaz erguê-las com tanta facilidade.</p>
<p>Menos imaginativo e mais observador que os dois moradores é o gari Antorisvaldo Coutinho, de 35 anos. Ele reclama que a única coisa que conseguiu perceber em relação às antenas foi o fato de que na Federação é praticamente impossível se ouvir a programação das rádios. Ao contrário das antenas de TV, as antenas de rádio não possuem data marcada para a ocorrência de interferências e os ruídos tornam-se constantes para os ouvintes. Segundo Coutinho, durante o seu trabalho varrendo as ruas da federação, “é possível começar a ouvir um programa e no meio dele ouvir vários outros de diversas rádios ao mesmo tempo”. Esse fato ocorre com muita freqüência no bairro devido ao grande número de antenas no local. Logo, no bairro das antenas, pouco se consegue aproveitar do trabalho feito por algumas emissoras.</p>
<p>Quem visita a Federação tem a sensação de ser guiado pelas antenas. Elas são o ponto de referência para quem não conhece o local e assumem o papel de bússola, direcionando os visitantes. De uma antena a outra, sentimos a sensação de conhecer várias Federações. Dentre elas, a Federação de favelas, mansões, terreiros de candomblé e das ladeiras. Enfim, trata-se de um conjugado de diferenças. Mas o papel de aproximar e de retratar tantas disparidades cabe às emissoras, que, durante a programação diária, atingem a todos igualmente e transmitem a sensação de uma proximidade imaginária.<br />
(junho de 2005)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/10/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=10&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>De olho no vídeo</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2007 18:47:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Vívian Casaes Criada em 1993, a videoteca do Instituto de Radiodifusão Educativa na Bahia (IRDEB), que se localiza na Rua Pedro Gama, Federação, possui um vasto acervo audiovisual de 4.209 fitas. Seu público é específico, pois esse lugar é muito procurado por pessoas que estão desenvolvendo algum tipo de pesquisa e buscam uma referência [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=9&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">por Vívian Casaes</p>
<p align="justify">Criada em 1993, a videoteca do Instituto de Radiodifusão Educativa na Bahia (IRDEB), que se localiza na Rua Pedro Gama, Federação, possui um vasto acervo audiovisual de 4.209 fitas. Seu público é específico, pois esse lugar é muito procurado por pessoas que estão desenvolvendo algum tipo de pesquisa e buscam uma referência audiovisual. Há 14 anos existe na mesma rua a Rabbit Vídeo Locadora, que é muito freqüentada pelos moradores do bairro, que desejam lazer e entretenimento. Por oferecer uma boa variedade de títulos, 2.500 no total, a vídeo locadora acaba atendendo a um público diverso, de mais de 2 mil clientes. <span id="more-9"></span></p>
<p align="justify">Ambas estão localizadas no fim de linha de Federação. A Rabbit, que é situada na garagem de uma casa, fica no início da ladeira da Rua Pedro Gama, próximo à Igreja Universal do Reino de Deus e a um posto de saúde. O IRDEB encontra-se logo após essa ladeira, ao lado da TV Aratu. Enquanto a videoteca foi criada para fins educativos e culturais, a vídeo locadora foi aberta por ‘hobby’ do então estudante Paulo José Coelho, hoje com 31 anos, que pensava no entretenimento dos moradores locais. “Sempre fui fanático por filmes”, disse o microempresário.<br />
Uma garagem não muito grande nem pequena, onde estão dispostas 15 prateleiras com variados estilos de filme. Nas paredes, cartazes que mostram os últimos filmes em lançamento. No pequeno balcão um cartaz, um computador, caneta, uma caixinha de doces de cupuaçu, ameixa, nozes, coco, todos cobertos por chocolate e vendidos a R$ 1,30. Pessoas de todos os tipos, gorda, magra, branca, negra, crianças, adultos, idosos, transitam ali a todo o momento sejam eles os parentes do dono e ou clientes. Quem também freqüenta o local são os repórteres das TVs Aratu e Educativa, Luci de Almeida Bruni e Jony Torres, o cantor e compositor Virgílio, conta o proprietário da Rabbit.</p>
<p align="justify">A videoteca disponibiliza a população vídeos de estudo como Telecurso 2000, filmes que estão na relação do vestibular da Universidade Federal da Bahia (UFBA), documentários históricos como “A Era Vargas” e sobre a cultura popular brasileira e baiana, que abordam a religião do candomblé ou falam sobre as manifestações populares, como nos vídeos Bahia Singular e Plural. Lazer e entretenimento, música, cinema, teatro, entre outros. Alguns com legendas em inglês ou espanhol. Na Rabbit Vídeo encontra-se filmes de comédia como a trilogia de “American Pie”, romance estilo “Moulin Rouge”, suspense, drama, ação, ficção científica como o filme “O Depois de Amanhã” que são baseados em fenômenos naturais.</p>
<p align="justify">O gerente de pesquisa e documentação da Videoteca, Mauro Pimentel, 43 anos, disse que o público vai a procura de vídeos que auxiliem no aprimoramento em projetos de estudo e para se informar em assuntos que lá estão disponíveis.</p>
<p align="justify">Os freqüentadores são professores, pesquisadores, estudantes da rede pública e privada. “O que oferecemos é tão bom que vem gente até do interior fazer pesquisa aqui”, disse a auxiliar administrativa e atendente Maria Hilda, 50 anos. “A Videoteca oferece muitos documentários e a maioria das pessoas daqui do bairro prefere vídeos de entretenimento”, afirmou a estudante de pedagogia da UFBA, Neila Lara, 25 anos. Segundo Neila, a Videoteca tem um público selecionado. “São pessoas que querem uma programação diferente, por isso recorre ao IRDEB”, disse ela. Ela costuma ir lá locar vídeos a cada dois meses.</p>
<p align="justify">O que leva os moradores para a vídeo locadora é a busca pelo entretenimento. Os fatores que contribuem para a lotação dela é a má qualidade da programação da televisão, principalmente em dias de domingo e o clima também influencia. “A programação da TV no domingo fica a desejar, por isso aqui enche e quando é dia de chuva a maioria dos filmes que são lançamento saem das prateleiras”, comentou o atendente Rhobson Paixão, 22 anos. Segundo Rhobson o tipo de filme que mais sai na locadora é o de ação: “É um tipo de filme que não precisa pensar muito, grande parte dos clientes gostam de filmes com violência explícita”.</p>
<p align="justify">Um grande balcão que serve para separar os atendentes dos locatários. Um garoto forte, de camisa branca e calça jeans entra, logo cumprimenta a todos no local e pede a uma atendente o vídeo “Ilê Axé Bahia – A Saga dos Orixás”, que será útil para seu projeto, baseado na cultura afrodescendente, em Arquitetura e Urbanismo da UFBA. A atendente entra numa porta em que se encontram estantes deslizantes com capacidade de guardar 11 mil fitas e encontra-o facilmente. Ela loca ao rapaz ele a agradece.</p>
<p align="justify">A estudante de turismo da Universidade Salvador (UNIFACS), Fabiana Oliveira, 20 anos, diz que freqüenta a Videoteca quinzenalmente, porque lá se encontram vídeos educativos e filmes que ajudam seu curso, os que falam sobre a Bahia. “Acho que a Videoteca do IRDEB poderia incentivar as pessoas do bairro a freqüentarem mais”, disse ela.</p>
<p align="justify">O microempresário acha que vale a pena investir neste negócio por ser um lazer barato. Ele tenta facilitar o acesso de pessoas de classes média e baixa com descontos. Nas quartas-feiras o valor da locação dos filmes fica pela metade do preço. O preço real é de R$ 4,50 lançamento, R$ 3,00 catálogo e R$ 2,50 pornográfico. A multa por atraso fica pelo valor de uma nova locação. Na videoteca a locação é R$ 1,00, sendo que os alunos de colégios público e municipal não pagam, a não ser em caso de atraso na devolução.</p>
<p align="justify"><strong>Cadastro</strong><br />
Para se cadastrar na videoteca e na videolocadora é preciso residir em um dos municípios da região metropolitana de Salvador. Apresentar carteira de identidade, CPF e comprovante de residência, além de ser maior de 18 anos. O que difere entre os dois é que, no IRDEB professores e alunos da rede estadual ou municipal devem apresentar o contracheque, no caso de professores, e o comprovante de matrícula, no caso de alunos. E na Rabbit deve ter em mãos a cópia da carteira de identidade.</p>
<p align="justify">Para locar um filme no IRDEB é necessário que o locatário esteja com trajes adequados para a sua entrada. As mulheres podem ir com qualquer roupa, exceto um short curto, já os homens têm de estar trajando calça e camisa. Na Rabbit só basta estar vestido, não existe restrição quanto ao tipo de roupa.</p>
<p align="justify">Para se entrar na videoteca o locatário deve estar portando sua identidade, o porteiro escreve seu nome e seu registro geral e entrega-o o cartão de visitante. Na Rabbit só é preciso apertar a campanhia, o acesso é rápido e fácil, porém solicita-se a identidade no ato da locação. O fato da Rabbit ser numa garagem de uma casa de família torna a comunicação dos atendentes com os clientes mais descontraída, já no irdeb há uma relação impessoal apesar dos atendentes serem educados e prestativos.<br />
Atendimento da Videoteca:(71)3116-7444<br />
(junho de 2005)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/9/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=9&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Uma vocação, uma missão</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2007 18:46:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Rodrigo Marques “Desemboquei no Seminário no dia 15 de fevereiro de 1995. Era uma manhã chuvosa, de uma chuva suave que fertilizava o terreno do meu coração para o amor à vocação”. É dessa forma que o recém ordenado padre, Gilvan Pires Pimentel, descreve a sua entrada na vida como seminarista. Após um ano [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=8&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">por Rodrigo Marques</p>
<p align="justify">“Desemboquei no Seminário no dia 15 de fevereiro de 1995. Era uma manhã chuvosa, de uma chuva suave que fertilizava o terreno do meu coração para o amor à vocação”. É dessa forma que o recém ordenado padre, Gilvan Pires Pimentel, descreve a sua entrada na vida como seminarista. Após um ano de preparação para o vestibular, morando no Seminário propedêutico, localizado no bairro do Garcia, Padre Gilvan se mudou para o Seminário Central São João Maria Vianey, situado na Federação. É nesse segundo período, que os seminaristas desenvolvem de forma mais ativa os aspectos intelectuais e espirituais.<span id="more-8"></span></p>
<p align="justify">A entrada no Seminário Central equivale ao período em que os seminaristas ingressam na vida acadêmica. O Seminário fica situado ao lado do campus da Federação da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), lugar onde os seminaristas estudam primeiramente Filosofia por dois anos e depois Teologia, por mais quatro anos. Elton Braga Alves, 25 amos, acabou de entrar no seminário da Federação e encara essa fase da sua vida como um “desafio”. Elton, que com seu jeito amigável vem conquistando a amizade dos outros seminaristas, veio do bairro de Brotas e ressalta que desde criança sentia a vontade de ser padre: “Tive quatro anos como coroinha, aí fui tomando gosto e hoje estou aqui”, explica.</p>
<p align="justify">O Seminário Central São João Maria Vianey, que em meio à movimentada Federação, traz um aspecto de paz, pelo contato com a natureza, é um dos quatros pólos de formação de padres da Bahia. Além dele, existem outros nas dioceses de Vitória da Conquista, Ilhéus e Feira de Santana. As outras dioceses baianas que não possuem seminários decidem para onde enviar seus jovens que desejam ser presbíteros. Atualmente, o Seminário Central acolhe 47 jovens dentre os quais 42 são da Arquidiocese de São Salvador, dois da diocese de Feira de Santana e os outros três, da Diocese de Senhor do Bonfim.</p>
<p align="justify"><strong>Comunidades</strong><br />
Durante toda a semana, os seminaristas se enquadram dentro de uma rotina de estudo e orações. Eles se dividem em três comunidades, de acordo com o curso universitário em que estão envolvidos. Existem padres que coordenam essas comunidades, com o objetivo de fornecer um acompanhamento mais personalizado, exercendo a função de educador. Jailson de Jesus faz parte da comunidade de Filosofia, coordenada pelos padres Genival Machado e Jair Arlego. “Temos uma vida voltada para espiritual e o intelectual”, destaca o jovem de 23 anos, que veio da comunidade de Amaralina, em Salvador.</p>
<p align="justify">O reitor do Seminário Central São João Maria Vianey, o padre Edson Menezes da Silva, explica que a vivência em comunidades dentro dos Seminários constitui um desejo do então Papa João Paulo II e da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Tanto em Sobre a formação dos sacerdotes, encíclica publicada por João Paulo II, quanto no documento Formação dos presbíteros do Brasil, publicada pela CNBB, ambas em 1992, há um desejo de modificação no processo de formação dos padres. “A metodologia passa a ser mais educativa que disciplinar”, ressalta o reitor Edson Menezes, enquanto olha para seus inúmeros livros, situados na estante do quarto onde ele atende alguns convidados.</p>
<p align="justify">Dentro de cada comunidade, existem tarefas a serem cumpridas como a organização das orações e das celebrações religiosas, além das tarefas domésticas, exceto a preparação do almoço e do jantar. Para que esse espírito de comunidade se fortaleça dentro do Seminário Central, estão sendo construídas três grandes casas, com uma boa infra-estrutura, para poder abrigar esses grupos de seminaristas. As comunidades de Filosofia &#8211; Teologia e a de Filosofia, já se mudaram para suas respectivas residências, enquanto a comunidade de Teologia, espera o término da obra que está prevista para Setembro de 2005.</p>
<p align="justify"><strong>Dimensões<br />
</strong>O documento Sobre a formação dos presbíteros do Brasil, publicado pela CNBB em 1992, indica quatro dimensões que devem ser seguidas para a formação dos padres: a intelectual, a pastoral, a comunitária, a humano-afetiva e a formação espiritual. Para o padre Edson Menezes, isso rompe com o modo como eram organizados os seminários antigamente: “Até 92, a formação era desenvolvida em seminários grandes e a pedagogia era da disciplina militar, havendo uma massificação”, observa o reitor do Seminário Central.</p>
<p align="justify">A dimensão intelectual diz respeito ao próprio estudo acadêmico de Filosofia e Teologia, que os seminaristas têm durante a vida em um Seminário. José Clerison, 22 anos, que faz parte da comunidade de Filosofia-Teologia, destaca que um padre nunca chega a um ponto estático de conhecimento, pois para ele, “essa questão de formação do padre é permanente”. José Clerison está na fase de preparação da monografia de conclusão de curso em Filosofia e diz que “o aspecto intelectual faz com que exista o equilíbrio na fé”.</p>
<p align="justify">O aspecto humano-afetivo é tratado de forma especial nas quartas-feiras, quando os seminaristas contam com a presença de psicólogos e terapeutas. Através de um atendimento individualizado, é possível reavaliar atitudes e entender melhor a realidade na qual eles estão inseridos. Esse trabalho contribui também para uma melhora na própria dimensão comunitária, que está relacionada à convivência interna entre os seminaristas.</p>
<p align="justify"><strong>Experiências</strong><br />
A rotina que o próprio seminário impõe é quebrada nos finais de semana quando os seminaristas deixam a Federação para exercer o trabalho pastoral em diversas paróquias da Arquidiocese. Nesse momento, a dimensão pastoral e de formação espiritual ganham força nas vidas dos seminaristas. É o que explica o seminarista da comunidade de Teologia, André Alencar, 30 anos, que vem desenvolvendo um trabalho na paróquia de Valéria, bairro da capital muito conhecido pelos altos índices de desemprego e violência. “Não tem sentido construirmos um trabalho se não conhecermos a realidade social”, alega André Alencar, falando também da importância de estar a par sobre o que os meios de comunicação informam, para a formação de um conhecimento cultural e social.</p>
<p align="justify">Assim como André Alencar, Elielton Cardoso, 29, também estuda Teologia e passa também pelas dificuldades de lidar com a pobreza na comunidade de Aratu, em Simões Filho. Elielton, demonstrando uma timidez que contrasta com a sua obstinação, acredita que a falta de oportunidades leva à violência e que os seminaristas estão lá para mostrar uma possibilidade de diálogo. “Agente está lá para despertar a consciência para que a comunidade possa ver um mundo melhor através do evangelho”, ressalta Elielton, que veio da diocese de Senhor do Bonfim.</p>
<p align="justify"><strong>Atividades</strong><br />
Em 2005, o Seminário Central São João Maria Vianey completa 190 anos de existência, passando por diferentes lugares da cidade até chegar à Federação na década de 50. Por essa razão, alguns seminaristas estão preparando um livro contando a história do Seminário. Eles contam com ajuda de Cândido da Costa e Silva, professor de Filosofia da Ucsal, que já no artigo O Seminário da Bahia, trata da questão histórica de formação e mudanças no Seminário até a década de 50.</p>
<p align="justify">Além dos estudos acadêmicos aos quais os seminaristas estão submetidos, eles também estudam inglês, latim e italiano. Essas aulas são dadas à noite, no próprio Seminário, quando as comunidades geralmente estão reunidas. Todas essas atividades realmente servem como mecanismo que possibilitam uma maior integração entre os seminaristas, fazendo com que haja um clima de grande amizade entre eles.<br />
(junho de 2005)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/8/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=8&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Corram que Pedrito vem aí</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2007 18:26:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Marcelo Reis Situado numa posição estratégica de Salvador, entre o centro da cidade e bairros tradicionais como Rio Vermelho e Ondina, o bairro da Federação é dono de algumas marcas bastante interessantes. Lá temos a maior concentração de emissoras de tevês e rádios e as primeiras e maiores universidades da cidade. É na Federação [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=7&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left"><img align="right" src="http://soteropolitanosdafederacao.files.wordpress.com/2007/10/casas2.jpg?w=594" alt="casas2.jpg" />por Marcelo Reis</p>
<p align="left">Situado numa posição estratégica de Salvador, entre o centro da cidade e bairros tradicionais como Rio Vermelho e Ondina, o bairro da Federação é dono de algumas marcas bastante interessantes. Lá temos a maior concentração de emissoras de tevês e rádios e as primeiras e maiores universidades da cidade. É na Federação também que vamos encontrar a maior concentração de terreiros tombados como patrimônio nacional. Estes terreiros se estabeleceram por razões similares. Adeptos da religião garantem que foram três as prováveis razões para a concentração: mata virgem, perseguição policial e, em alguns casos, questões familiares.<span id="more-7"></span></p>
<p align="justify">Terreiros como a Casa Branca, Gantois, Ilê Oxumaré, Cobre e o Terreiro do Bogum que, segundo Lindinalva Barbosa, 42 anos, representante da Fundação Cultural Palmares na Bahia e sacerdotisa do Cobre (que na década de 1850 chegou a fazer parte da revolta dos Malês), juntos somam mais de 400 anos de história. Estes espaços sagrados, criados pelos negros escravos recém chegados a Bahia, trazidos pelos navios negreiros, se constituíram como local de integração sociocultural, fortalecendo e servindo como núcleo de relações familiares, religiosas e culturais do seu distante continente natal.</p>
<p align="justify">Impedidos de cultuar as divindades negras, os orixás, e ao mesmo tempo obrigados a participar das manifestações religiosas da igreja católica, três irmãs negras e escravas deram início nos fundos da atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha, à tradição religiosa que mais tarde viria a ser chamada de candomblé, explicou o professor Antoniel Bispo, 59 anos, diretor secretário da Federação Nacional de Cultos Afros Brasileiros.</p>
<p align="justify">Quem hoje transita pela extensa Avenida Cardeal da Silva, cortando todo o bairro da Federação, percebe a imensa selva de pedra erguida por moradores provenientes de diferentes regiões. Paisagem bastante diferente da existente em meados do século XIX. “Por volta da década 1850, perseguidos pelo delegado que ficou conhecido na história como Pedrito, os poucos terreiros já existentes na cidade, foram obrigados a buscar uma região distante do centro e das pessoas da sociedade da época, que viam na prática religiosa uma conduta dos maus modos. Sendo assim, a região da Federação, conhecida na época como Mata-Escura, devido à densa mata existente na região, e já habitada por alguns terreiros, foi aos poucos sendo escolhida para ser o local de fundação de outros tantos terreiros inclusive de nações diferentes”, explicou Marcos Rezende, 29 anos, ogã do terreiro Oxumaré. “Por seu difícil acesso, atendido apenas por uma única linha de bonde, a linha 15, a Federação acabou sendo um local ideal para a fundação de novas casas, além de ficar longe da cidade e das perseguições da lei da vadiagem”, pontua Rezende.</p>
<p align="justify">“Alguns negros que praticavam o culto do candomblé, principalmente as manifestações cantadas ou tocadas, eram perseguidos por simplesmente se enquadrarem nos perfis criados pela lei. Pedrito, oficial da polícia baiana, avesso à manifestação religiosa e resguardado pela legislação estadual, era encarregado de fazer as perseguições, juntamente com uma grande equipe de guardas municipais. Eram nos dias de festas, que ele mais fazia sua perseguição. Os negros eram avisados da chegada do oficial, pelo militares, simpatizantes do candomblé ou até mesmo sacerdote de alguns dos terreiros perseguidos, que logo tratavam de interromper as festas”, lembra Rezende. Foi assim durante muito tempo. Preocupado com esta situação a Casa Branca e o próprio Oxumaré, dois dos mais antigos terreiros da cidade, buscaram na região a saída para realizarem sua atividade em tranqüilidade, completa o ogã.</p>
<p align="justify">Ainda para Marcos, que não acredita ter tido uma data precisa que marque sobretudo a abertura da primeira casa, devido ao fato de que nesta época as tradições serem transferidas oralmente, outro fator que contribuiu para a permanência e instalação de novos terreiros na atual localidade se deu por conta dos benefícios naturais existentes nas novas terras. Os terreiros precisam de folhas, plantas e uma fonte de água, elementos sagrados para o candomblé, e tudo isto foi encontrado em abundância nas imediações do Engenho Velho da Federação, sem esquecer do imenso e vizinho Dique do Toróro, onde se podia ir a pé fazer as oferendas sagradas.</p>
<p align="justify"><strong>Nações unidas</strong><br />
Localizado também no Engelho Velho da Federação, o Terreiro do Cobre é também um dos mais antigos e tradicionais da Bahia. Sua história remonta a 1889, quando, vindo de um outro ponto da Barroquinha, transferiu-se para o então Engenho Velho de Cima, permanecendo até os dias de hoje, define Lindinalva. Ainda no século XIX, o Cobre passou a ser dirigido pela Iyalorixá Flaviana Maria da Conceição Bianchi, filha da fundadora do Terreiro. “O Cobre tem uma particularidade que não encontramos nas outras casas. Por tradição do Terreiro, somente os descendentes consangüíneos podem dirigir espiritualmente a casa. Por esta razão a casa ficou muito tempo fechada, voltando a reabrir somente quando Mãe Valnizia de Ayrá, conhecida como Mãe Val, aceitou assumir o posto que de herança era dela, pelo fato de ser a única da hierarquia familiar com capacidade de direção”, explica Lindinalva.</p>
<p align="justify">Outra característica particular do Cobre é a de ser um dos únicos Terreiros a ter em seus costumes manifestações de origens das três principais nações da religião do candomblé no Brasil: ketus, bantos de Angola e gêges. “As nações definem as origens das tradições africanas dos terreiros no Brasil”, explicou Lindinalva.</p>
<p align="justify">Segundo o professor Antoniel, todo filho de santo é obrigado por um período a permanecer na casa de sua iniciação. Quando saíam, devido ao tempo que passavam em convívio com as pessoas e com o próprio espaço sócio-urbano, acabavam por se estabelecerem próximo às casas de origem. Ainda para o professor a questão dos terreiros na Bahia é uma questão social. É então que a relação familiar passava a determinar a fundação das novas casas.</p>
<p align="justify">Todos os terreiros existentes hoje na Federação praticamente foram fundados a partir de filhas e filhos-de-santo destes outros terreiros mais antigos, destaca a representante do Cobre. “Existem duas formas de um filho de santo abrir uma casa: a primeira é, tendo no mínimo sete anos de iniciação, solicitar uma espécie de autorização para iniciar seus trabalhos em um novo terreiro. Outra forma, mais praticada, é através do jogo de búzios, onde através de uma indicação a filha ou filho-de-santo recebe seu decá, podendo assim criar sua nova família”, explica Lindinalva.</p>
<p align="justify"><strong>Atividades socioculturais</strong><br />
Com tantos espaços de preservação cultural existentes na Federação, os moradores passam a desfrutar de benefícios exclusivos. Segundo o ogã Marcos, os moradores da Federação contam com diversos cursos e oficinas profissionalizantes gratuitos. Terreiros como Casa Branca, Oxumaré e o Cobre, juntos são responsáveis por realizarem oficinas práticas, graças ao apoio do Governo Federal, que vão desde os cursos de folhas, ensinando os jovens a conheceram os poderes existentes na natureza através de suas árvores e plantas sagradas até cursos de tecnologia como internet e computação. “Os vizinhos são privilegiados, por uma razão muito simples: transporte. Muitos deles não têm dinheiro para pagar a condução de vir para o terreiro, e isto seguramente iria contribuir para forçar uma evasão das salas de aula”, completa Marcos.<br />
Em cada casa um segredo</p>
<p align="justify">Em 1851, a cidade do Salvador iniciava sua discreta expansão urbana, relembra Antoniel. “O presidente da Província da Bahia, Francisco Gonçalves Martins – Visconde de São Lourenço – iniciou a urbanização da Barroquinha, removendo o reduto africano para terraplanagem de toda a área. É deste modo que por volta de 1855, fugindo da urbanização e buscando um local de mata, elemento vital para o orixá, surge no Engenho Velho da Federação, exatamente na Avenida Vasco da Gama, o primeiro terreiro de candomblé da Bahia”, relata Bispo. “O terreiro da Casa Branca do Engenho Velho da Federação, Ilê Axé Iyá Nassô Oká, teve uma particularidade, nasceu com três titulares, as irmãs Iyá Dêtá, Iyá Kalá e Iyá Nassô. É a primeira casa de candomblé do Brasil, seguido do terreiro do Gantois, fundado pela Iyá Nassô, já batizada na Bahia”.</p>
<p align="justify">Preocupados com mudanças que pudessem causar alterações significativas na estrutura cultural, o poder público criou a lei federal nº. 6.292 de 15/12/1975 protegendo os terreiros de candomblé no Brasil, contra qualquer tipo de alteração de sua formação material ou imaterial. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) são os responsáveis pelo tombamento das casas. Na Federação, as principais casas já estão tombadas.<br />
(junho de 2005)</p>
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		<title>Psicologia social e docente</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2007 18:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[por Ila Gomes Em meio a tantas faculdades, a Federação possui uma que escuta os dramas, as histórias, os sentimentos, os temores, os sintomas e as misérias humanas, trazendo também o alívio, a ajuda e a orientação psicológica à população de baixa renda. Todo esse serviço refere-se ao núcleo de extensão do curso de psicologia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=6&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">por Ila Gomes</p>
<p align="justify">Em meio a tantas faculdades, a Federação possui uma que escuta os dramas, as histórias, os sentimentos, os temores, os sintomas e as misérias humanas, trazendo também o alívio, a ajuda e a orientação psicológica à população de baixa renda. Todo esse serviço refere-se ao núcleo de extensão do curso de psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA): o Serviço de Psicologia João Ignácio de Mendonça.<span id="more-6"></span></p>
<p align="justify">Segundo a professora assistente do curso de graduação e coordenadora do Serviço de Psicologia da UFBA Analícea Calmon, o núcleo tem por objetivos prestar atendimento psicológico acessível à comunidade e dar oportunidade aos alunos estagiários de praticar o serviço da clínica na própria faculdade. “O Serviço contempla as três vertentes de formação, que sustentam o trabalho universitário da UFBA: pesquisa, ensino e extensão”, diz. Além de prestar serviços a comunidade, o núcleo de extensão dá assessoria ou consultoria a instituições da comunidade.<br />
Os atendimentos são realizados de fevereiro a dezembro, de segunda à sexta, das 8h às 18h, após a entrevista e a triagem, onde são distribuídas as senhas. Essa triagem é realizada trimestralmente dispondo de 50 vagas cada. Para ocupar uma das vagas, os interressados devem telefonar e se informar sobre o dia e horário da triagem. Os que conseguem a senha são entrevistados e posteriormente encaminhados para o tratamento.</p>
<p align="justify">Muitas vezes, o número de senhas não é suficiente para a quantidade de pessoas que procuram o Serviço. Desta forma, o núcleo funciona como facilitador: “Quando a procura é maior que a demanda, direcionamos o público para outros serviços disponíveis que tenham condições de trabalhar o caso apresentado”, afirma Analícea Calmon. A estagiária Patrícia Silva, 23, que cursa o 5º ano de psicologia na UFBA e trabalha há oito meses no Serviço, confirma: “A procura pelo serviço é muito grande, e quase sempre não atendemos a expectativa, então encaminhamos as pessoas para outros serviços, para não deixá-los na espera”.</p>
<p align="justify">Antônio Machado, que trabalha no núcleo há cinco anos, assegura que o compromisso do Serviço é o de prestar atendimento de qualidade e não de ampliar o número de vagas. “Nosso zelo e responsabilidade com a população se dá, sobretudo, no aspecto da qualidade. Se tentássemos aumentar as vagas, comprometeríamos a qualidade do atendimento, pois estaríamos comprometendo o estudo e consequentemente a formação dos estagiários”, declara.</p>
<p align="justify">Apesar de o serviço do núcleo ser voltado principalmente para atender a população carente, ele não é gratuito, também não há um valor fixo cobrado e nem a obrigatoriedade de efetivá-lo, é o que explica Antônio Machado: “O pagamento por si só constitui uma parte do tratamento. Não podemos dizer que é um serviço gratuito, mas também não podemos deixar que isso se torne um empecilho para algum paciente. Nosso objetivo não é levantar recursos”, esclarece.</p>
<p align="justify">“Aqui a gente só paga uma pequena ajuda. Depende da condição da pessoa, se não puder não paga. Não tem um valor estipulado”, declara Conceição (nome fictício dado para acatar o sigilo do Serviço), mãe de um paciente de 15 anos, que freqüenta o núcleo desde os cinco. Conceição fala que o Serviço foi indicado por uma psiquiatra do Hospital das Clínicas, onde seu filho fazia tratamento anteriormente. Moradora de Cajazeiras, ela fala das dificuldades enfrentadas pela distância, mas não esmorece frente às diversidades, pois afirma notar a melhora do seu filho a cada dia: “Há 10 anos eu vivo essa luta, mas o que importa é que estou vendo o resultado e isso é o importante. Ele melhorou bastante aqui, ainda não está como eu gostaria que estivesse, mas eu tenho esperança que ainda consiga”, declara confiante.</p>
<p align="justify">Ainda em processo de entrevista, a paciente M.R.P., que preferiu não se identificar, disse conhecer o núcleo desde 98, quando era aluna de história da UFBA, e só agora reconhece a sua importância: “Esse serviço é super importante por que nos atende no momento que precisamos, e é acessível porque não cobra os valores que são cobrados lá fora”, declara emocionada.</p>
<p align="justify">Patrícia Silva acredita que o núcleo é uma oportunidade única de aprendizado para o estudante, onde ele pode colocar seus conhecimentos em prática e ao mesmo tempo prestar serviços a comunidade: “Aqui o aluno aprende não só a parte da teoria e prática da profissão, mas através do contato com a comunidade, que normalmente não encontraríamos em consultórios particulares”, afirma.</p>
<p align="justify">Com o quadro atual de 80 alunos e 10 professores assistentes, o Serviço de Psicologia João Ignácio de Mendonça oferece atendimento psicológico à comunidade em geral, em Psicoterapia, Psicodiagnóstico, Orientação Vocacional e entrevistas de encaminhamento externo, todos orientados pelo professor ou supervisor da especialidade. De acordo com a aluna Patrícia Silva, os problemas que mais aparecem no Serviço de Psicologia são depressão e síndrome do pânico (neuroses), seguidos pelas psicoses, que compreendem questões de personalidade, que são trabalhadas para mudar algumas características comportamentais.</p>
<p align="justify">O núcleo de Psicologia fica instalado no 1º andar do pavilhão de aulas de psicologia, localizado no Campus da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH), na Estrada de São de Lázaro e próximo a Avenida Cardeal da Silva. O espaço que atualmente encontra-se em reforma, dispõe de sala de espera, recepção, secretaria, seis salas de atendimentos, além de uma sala especial chamada “sala do espelho”. Nessa sala são realizados atendimentos ou aulas práticas observadas, com a permissão do paciente. A sala do espelho compreende duas salas vizinhas, interligadas por um espelho na parede, que faz fronteira entre ambas. Através do espelho, estudantes assistem o atendimento feito na outra sala, onde estão o paciente e o atendente que nada vêem além do espelho. Analícea Calmon diz que esse tipo de atendimento tem objetivo de suscitar a discussão entre os alunos sobre os temas abordados no atendimento, que são observados e anotados para depois serem discutidos entre eles.</p>
<p align="justify"><strong>O serviço no bairro<br />
</strong>A universitária Patrícia Silva considera a Federação um bairro adequado, por ser de fácil acesso e por possuir muitos bairros populares ao seu redor, o que, segundo ela, facilita o atendimento da comunidade. “Esse público é o que mais precisa do nosso Serviço, já que tem os problemas de distância e financeiro para se locomover até os locais”.</p>
<p align="justify">Logo quando o Serviço começou, há 16 anos atrás, o atendimento era restrito aos moradores do bairro e adjacências, como Alto das Pombas, Engenho Velho da Federação, depois foi se expandindo a toda população, “e agora pega uma clientela de bairros distantes e, às vezes, até clientes do interior”, afirma a coordenadora do Serviço de Psicologia João Ignácio de Mendonça.<br />
O nome do Serviço é uma homenagem a um dos primeiros professores de psicologia da Bahia, que lutou incessantemente pela implantação do curso no Estado. João Ignácio de Mendonça foi, desde 1955, o primeiro ocupante da cadeira de Psicologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA.</p>
<p align="justify">(junho de 2005)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/6/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=6&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Silvinha</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2007 18:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[PERFIS]]></category>

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		<description><![CDATA[por Dandara Freire Todo dia ela acorda às 5h da manhã, se maquia, transa os cabelos, se veste com bom gosto e sai para trabalhar. Ao olhar para ela, percebe-se no ato que é uma mulher de fibra, forte, batalhadora. Hoje, aos 32 anos, Sílvia Silva, a Silvinha, como é mais conhecida, é dona do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=5&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">por Dandara Freire</p>
<p align="justify">Todo dia ela acorda às 5h da manhã, se maquia, transa os cabelos, se veste com bom gosto e sai para trabalhar. Ao olhar para ela, percebe-se no ato que é uma mulher de fibra, forte, batalhadora. Hoje, aos 32 anos, Sílvia Silva, a Silvinha, como é mais conhecida, é dona do bar Boneca Cobiçada, que fica em São Lázaro, um pouco antes da igrejinha na Federação. Foi com muito esforço e com muita perseverança que ela conseguiu chegar onde chegou.<span id="more-5"></span></p>
<p align="justify">Nasceu em Acupe, cidadezinha do interior, mas aos 10 anos abandonou a cidade e a escola na terceira série e veio tentar a vida na capital. Tinha apenas a roupa do corpo e um sonho na cabeça: conseguir uma vida melhor para ela e sua família. Ao chegar em Salvador, começou a trabalhar como babá em casa de famílias. Se dava bem nas casas, pois seu humor admirável conquistava qualquer patrão. Nessas casas, Silvinha aprendeu a cozinhar, o que lhe foi muito útil, pois hoje ela não gasta dinheiro com cozinheira em seu bar. “Ela mesma faz os pratos, feijoada, galinha ao molho pardo, sarapatel, todos maravilhosos”, afirmou a estudante de psicologia Júlia Lopes, que costuma ir sempre ao Boneca.</p>
<p align="justify">Aos 17 anos, Silvinha conseguiu um emprego no Shopping Barra, mas aos 18, engravidou. Teve seu filho Thiago aos 19 e casou com a mesma idade. Foi uma época difícil para ela, pois, por causa do menino, se viu obrigada a deixar seu tão sonhado emprego. Retornou para as casas de família e para poder dar qualidade de vida ao filho, começou a trabalhar dobrado. Hoje Thiago tem 12 anos. “Minha mãe quer que eu seja doutor, mas o que eu quero mesmo é ser o próximo fenômeno”, disse ele se referindo à Ronaldo, jogador do Real Madrid.</p>
<p align="justify">Em 1996, seu sogro faleceu e deixou como herança o Boneca Cobiçada para seu filho mais velho, marido de Silvinha. O bar não tinha luz, nem banheiro e era extremamente apertado. Juntos, começaram aos poucos a melhorar o Boneca Cobiçada, que tem esse nome porque quando seu sogro era vivo, cobiçava uma linda morena. Quando o bar estava finalmente pronto, Silvinha já estava com 23 anos.</p>
<p align="justify">Nessa época, uma velha amiga de infância estava precisando de ajuda e por ser extramente generosa, Silvinha resolveu lhe emprestar uma parte do bar. Quando a amiga já estava reerguida financeiramente, Silvinha pediu a parte do bar de volta, porque Thiago já estava grandinho e ela queria colocá-lo numa boa escola. Como resposta, sua amiga tocou fogo no bar inteiro, fazendo com que Silvinha voltasse à estaca zero. Mais uma vez, Silvinha não se deixou abater e junto com seu fiel marido, recomeçou toda a construção. Atualmente essa “amiga” é dona do bar ao lado do seu. “Se a cerveja acabar, a gente não pode beber no outro bar, Silvinha fica de mal”, contou a estudante de psicologia, Jaqueline Vitoriano.</p>
<p align="justify">Silvinha tem planos e sonhos ainda para o Boneca. Pretende aumentar seu espaço e quer contratar três garçons, pois o único ajudante que ela dispõe pela tarde é seu filho, que assim que chega do colégio vai direto para o bar trabalhar. Por ser uma grande mãe, quando nota que Thiago está muito cansado, ela o manda para casa dormir e se ocupa de todos os clientes sozinha, servindo mesas, cozinhando e cuidando do caixa. Como seu bar é colado com a Ufba, seus clientes mais assíduos são os alunos. Para eles, ela abre infinitas concessões, permite até mesmo que eles deixem contas acumuladas penduradas. “Eu tenho três contas penduradas, Silvinha não se grila porque me adora”, disse rindo o estudante de filosofia Rodrigo Farias.</p>
<p align="justify">Para Silvinha, não existe descanso. O Boneca Cobiçada funciona de domingo a domingo, incluindo feriados. O dia de Silvinha começa 5h da manhã e só acaba 3h da manhã do dia seguinte, isso quando os clientes resolvem sair mais cedo Apesar de toda essa correria, ela ainda consegue ser vaidosa. Aos sábados, o bar abre um pouco mais tarde, pois é o dia que ela vai à feira de São Joaquim comprar as mercadorias para serem estocadas. Mas é também aos sábados que Silvinha reserva uma parte do dia para ajeitar suas longas tranças e pintar as unhas, afinal, ninguém é de ferro.<br />
(junho de 2005)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdafederacao.wordpress.com/5/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=5&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Repúblicas particulares</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2007 18:17:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[por Marli Santana A maioria das pessoas tem em comum o sonho de cursar uma faculdade. O acesso ao ensino superior, além de realização, significa a chance de uma melhor colocação no mercado de trabalho. Mas a realização do sonho requer esforço. Em nome do objetivo, muitos chegam até a mudar de cidade, geralmente pessoas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdafederacao.wordpress.com&amp;blog=1555232&amp;post=4&amp;subd=soteropolitanosdafederacao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><a href="http://soteropolitanosdafederacao.files.wordpress.com/2007/10/saobras2.jpg" title="saobras2.jpg"></a><img src="http://soteropolitanosdafederacao.files.wordpress.com/2007/10/saobras.jpg?w=594" alt="saobras.jpg" /></p>
<p>por Marli Santana</p>
<p align="justify">A maioria das pessoas tem em comum o sonho de cursar uma faculdade. O acesso ao ensino superior, além de realização, significa a chance de uma melhor colocação no mercado de trabalho. Mas a realização do sonho requer esforço. Em nome do objetivo, muitos chegam até a mudar de cidade, geralmente pessoas do interior, e vão morar em repúblicas mantidas pelas prefeituras dos locais de origem desses alunos. Outra solução é alugar quartos em casas de famílias, ou senão, dividir um apartamento ou que se pode chamar de “república particular”. Como toda mudança, a adaptação, no início, é difícil, afinal não é nada fácil lidar com a saudade, ficar longe da família, conviver com pessoas diferentes, lidar com culturas diferentes, mas com o passar do tempo e o ritmo agitado, as pessoas acabam se acostumando. <span id="more-4"></span></p>
<p align="justify">Por ser uma área que abriga três campus universitários (UFBA, Católica e Unifacs), a Federação é um bairro escolhido por muitos estudantes para morar quando vêm estudar na capital. No conjunto habitacional São Braz, por exemplo, muitos apartamentos são ocupados por estudantes vindos do interior. No bloco 21 B moram Vanderson Morais, 19 anos, e mais dois amigos. Natural de Conceição de Caeté, o estudante de medicina da UFBA, há dois anos está em Salvador. Segundo ele, o que mais faz falta é a família e a namorada. Quando não dá para visitá-los, o telefone ajuda a matar as saudades. Apesar de estar ainda no segundo semestre, ele pensa em regressar para sua cidade quando se formar. “Eu pretendo voltar para o interior porque lá, além da vida ser mais tranqüila, precisa mais de médicos”, diz Morais.</p>
<p align="justify">Amigo de longa data de Vanderson, Robert Rodrigues também está em Salvador há dois anos. Estudante de educação física da UFBA, ele confessa que sua adaptação foi razoável. Aos 19 anos, ele mora com os amigos. Como não têm quem faça as tarefas domésticas para eles, os estudantes se dividem para fazer os serviços de casa, o que, segundo Rodrigues, de vez em quando, acaba gerando alguma discussão. Como acontece com qualquer pessoa que muda de cidade, é normal, no início passar por alguma dificuldade. Com Robert Rodrigues não foi diferente. Ele conta que já passou muito sufoco com os coletivos: “Já aconteceu de eu pegar ônibus errado. De tão cansado, dormir e passar do ponto”, lembra Rodrigues que diz ter uma rotina comum: “Todos os dias são iguais: estágio e faculdade”.</p>
<p align="justify">Para quem não consegue ficar numa república estudantil ou dividir um apartamento, uma solução é alugar um quarto numa casa de família. Além de ser mais seguro, é mais prático, já que o estudante não precisa se preocupar com a comida.</p>
<p align="justify"><strong>Complemento</strong><br />
Para complementar a aposentadoria, Vandelita da Silva, 71 anos, resolveu alugar um quarto da sua casa para estudantes vindos do interior. O aluguel de um quarto pequeno com uma tv, um beliche e um guarda-roupas não sai por menos de R$ 200, com direito à refeição. Quanto às roupas, cada um fica responsável pela sua. Vanda, como é mais conhecida, alugou um quarto de sua casa há uns anos atrás para três estudantes de Jequié. Segundo ela, sua relação com os hóspedes era de avó para neto. Ela conta que só alugou um quarto dentro da própria casa uma vez e que o fato dos estudantes serem conhecidos de sua nora pesou na decisão. Vandelita gostou tanto da primeira experiência que pretende continuar alugando quartos para os alunos. Atualmente não tem nenhum inquilino com ela. Quando perguntada sobre as regras da casa a aposentada responde: “Não tinha regras, não. Cada um tinha a chave e quanto à questão do horário cada um chegava na hora que quisesse. Eles se comportavam”.</p>
<p align="justify"><img src="http://soteropolitanosdafederacao.files.wordpress.com/2007/10/saobras2.jpg?w=594" alt="saobras2.jpg" /></p>
<p align="justify"><strong>Mestrado</strong><br />
Não é só quem está se graduando que procura dividir um apartamento com colegas. Pessoas que já se formaram e saem de suas cidades para fazer pós-graduação, mestrado ou, até mesmo, doutorado também procuram compartilhar um apartamento com colegas. Esse é o caso de Tânia Figueredo, 27 anos. Morando em Salvador há oito anos, a mineira há um ano divide, com dois colegas de mestrado, um apartamento no bloco B, conjunto XVI, no Parque São Braz. Pelo aluguel, os estudantes desembolsam R$ 600, inclusos condomínio e IPTU.</p>
<p align="justify">A adaptação de Tânia não foi tão fácil quanto é para alguns. “Acho que no primeiro momento você tem uma certa crise, quer se isolar do mundo. Mas não tive dificuldades não porque eu já tinha uma vida fora do seio familiar”, diz a estudante, que faz mestrado em biologia na UFBA. Quando perguntada sobre o que mais sente falta em Salvador, ela é categórica: “As coisas aqui são muito largadas. As pessoas ao mesmo tempo que são carinhosas, são mal-educadas. Falta serviço bem feito. Falta noção de competência”, fala. Tânia não pretende ficar muito tempo na Bahia. Entre seus planos está um doutorado na Alemanha ou em qualquer país da Europa.<br />
(junho de 2005)</p>
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