por Rodrigo Marques
“Desemboquei no Seminário no dia 15 de fevereiro de 1995. Era uma manhã chuvosa, de uma chuva suave que fertilizava o terreno do meu coração para o amor à vocação”. É dessa forma que o recém ordenado padre, Gilvan Pires Pimentel, descreve a sua entrada na vida como seminarista. Após um ano de preparação para o vestibular, morando no Seminário propedêutico, localizado no bairro do Garcia, Padre Gilvan se mudou para o Seminário Central São João Maria Vianey, situado na Federação. É nesse segundo período, que os seminaristas desenvolvem de forma mais ativa os aspectos intelectuais e espirituais.
A entrada no Seminário Central equivale ao período em que os seminaristas ingressam na vida acadêmica. O Seminário fica situado ao lado do campus da Federação da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), lugar onde os seminaristas estudam primeiramente Filosofia por dois anos e depois Teologia, por mais quatro anos. Elton Braga Alves, 25 amos, acabou de entrar no seminário da Federação e encara essa fase da sua vida como um “desafio”. Elton, que com seu jeito amigável vem conquistando a amizade dos outros seminaristas, veio do bairro de Brotas e ressalta que desde criança sentia a vontade de ser padre: “Tive quatro anos como coroinha, aí fui tomando gosto e hoje estou aqui”, explica.
O Seminário Central São João Maria Vianey, que em meio à movimentada Federação, traz um aspecto de paz, pelo contato com a natureza, é um dos quatros pólos de formação de padres da Bahia. Além dele, existem outros nas dioceses de Vitória da Conquista, Ilhéus e Feira de Santana. As outras dioceses baianas que não possuem seminários decidem para onde enviar seus jovens que desejam ser presbíteros. Atualmente, o Seminário Central acolhe 47 jovens dentre os quais 42 são da Arquidiocese de São Salvador, dois da diocese de Feira de Santana e os outros três, da Diocese de Senhor do Bonfim.
Comunidades
Durante toda a semana, os seminaristas se enquadram dentro de uma rotina de estudo e orações. Eles se dividem em três comunidades, de acordo com o curso universitário em que estão envolvidos. Existem padres que coordenam essas comunidades, com o objetivo de fornecer um acompanhamento mais personalizado, exercendo a função de educador. Jailson de Jesus faz parte da comunidade de Filosofia, coordenada pelos padres Genival Machado e Jair Arlego. “Temos uma vida voltada para espiritual e o intelectual”, destaca o jovem de 23 anos, que veio da comunidade de Amaralina, em Salvador.
O reitor do Seminário Central São João Maria Vianey, o padre Edson Menezes da Silva, explica que a vivência em comunidades dentro dos Seminários constitui um desejo do então Papa João Paulo II e da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Tanto em Sobre a formação dos sacerdotes, encíclica publicada por João Paulo II, quanto no documento Formação dos presbíteros do Brasil, publicada pela CNBB, ambas em 1992, há um desejo de modificação no processo de formação dos padres. “A metodologia passa a ser mais educativa que disciplinar”, ressalta o reitor Edson Menezes, enquanto olha para seus inúmeros livros, situados na estante do quarto onde ele atende alguns convidados.
Dentro de cada comunidade, existem tarefas a serem cumpridas como a organização das orações e das celebrações religiosas, além das tarefas domésticas, exceto a preparação do almoço e do jantar. Para que esse espírito de comunidade se fortaleça dentro do Seminário Central, estão sendo construídas três grandes casas, com uma boa infra-estrutura, para poder abrigar esses grupos de seminaristas. As comunidades de Filosofia – Teologia e a de Filosofia, já se mudaram para suas respectivas residências, enquanto a comunidade de Teologia, espera o término da obra que está prevista para Setembro de 2005.
Dimensões
O documento Sobre a formação dos presbíteros do Brasil, publicado pela CNBB em 1992, indica quatro dimensões que devem ser seguidas para a formação dos padres: a intelectual, a pastoral, a comunitária, a humano-afetiva e a formação espiritual. Para o padre Edson Menezes, isso rompe com o modo como eram organizados os seminários antigamente: “Até 92, a formação era desenvolvida em seminários grandes e a pedagogia era da disciplina militar, havendo uma massificação”, observa o reitor do Seminário Central.
A dimensão intelectual diz respeito ao próprio estudo acadêmico de Filosofia e Teologia, que os seminaristas têm durante a vida em um Seminário. José Clerison, 22 anos, que faz parte da comunidade de Filosofia-Teologia, destaca que um padre nunca chega a um ponto estático de conhecimento, pois para ele, “essa questão de formação do padre é permanente”. José Clerison está na fase de preparação da monografia de conclusão de curso em Filosofia e diz que “o aspecto intelectual faz com que exista o equilíbrio na fé”.
O aspecto humano-afetivo é tratado de forma especial nas quartas-feiras, quando os seminaristas contam com a presença de psicólogos e terapeutas. Através de um atendimento individualizado, é possível reavaliar atitudes e entender melhor a realidade na qual eles estão inseridos. Esse trabalho contribui também para uma melhora na própria dimensão comunitária, que está relacionada à convivência interna entre os seminaristas.
Experiências
A rotina que o próprio seminário impõe é quebrada nos finais de semana quando os seminaristas deixam a Federação para exercer o trabalho pastoral em diversas paróquias da Arquidiocese. Nesse momento, a dimensão pastoral e de formação espiritual ganham força nas vidas dos seminaristas. É o que explica o seminarista da comunidade de Teologia, André Alencar, 30 anos, que vem desenvolvendo um trabalho na paróquia de Valéria, bairro da capital muito conhecido pelos altos índices de desemprego e violência. “Não tem sentido construirmos um trabalho se não conhecermos a realidade social”, alega André Alencar, falando também da importância de estar a par sobre o que os meios de comunicação informam, para a formação de um conhecimento cultural e social.
Assim como André Alencar, Elielton Cardoso, 29, também estuda Teologia e passa também pelas dificuldades de lidar com a pobreza na comunidade de Aratu, em Simões Filho. Elielton, demonstrando uma timidez que contrasta com a sua obstinação, acredita que a falta de oportunidades leva à violência e que os seminaristas estão lá para mostrar uma possibilidade de diálogo. “Agente está lá para despertar a consciência para que a comunidade possa ver um mundo melhor através do evangelho”, ressalta Elielton, que veio da diocese de Senhor do Bonfim.
Atividades
Em 2005, o Seminário Central São João Maria Vianey completa 190 anos de existência, passando por diferentes lugares da cidade até chegar à Federação na década de 50. Por essa razão, alguns seminaristas estão preparando um livro contando a história do Seminário. Eles contam com ajuda de Cândido da Costa e Silva, professor de Filosofia da Ucsal, que já no artigo O Seminário da Bahia, trata da questão histórica de formação e mudanças no Seminário até a década de 50.
Além dos estudos acadêmicos aos quais os seminaristas estão submetidos, eles também estudam inglês, latim e italiano. Essas aulas são dadas à noite, no próprio Seminário, quando as comunidades geralmente estão reunidas. Todas essas atividades realmente servem como mecanismo que possibilitam uma maior integração entre os seminaristas, fazendo com que haja um clima de grande amizade entre eles.
(junho de 2005)
Anônimo
31/05/2010
queria dizer a todos os seminaristas que rezem, rezem muito e peça a Deus o discernimento concreto da sua vocação, sejam santos, rezem, rezem muito, afastem de tudo o que é ruim, sejam fortes na fé, clamem por Maria sempre, rezem o rozario, e sejam padres santos, a Igreja precisa de padres santos, fortes, corajosos,fieis ao papa. e se a vocação não for ao sacerdocio, não tem problema vão ser leigos santos unidos a Jesus, Maria e a Igreja.Amem muito, muito, muito a Eucaristia, adorem Jesus no Santissimo Sacramento do altar e olhem muito p o crucificado.Ele tomou sobre si nossas enfermidades!avante!!!!!