Centro Social Urbano da Federação

Posted on 02/04/2007

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por Vívian Casaes

Com o intuito de desenvolver a reintegração social e atender as pessoas da comunidade e adjacências, foi criado em 1978 o Centro Social Urbano da Federação (CSU), durante a posse do então governador Roberto Santos. O horário de funcionamento é de 8h às 17h. O centro oferece atividades para qualquer faixa etária, como os grupos de: dança, jovens, boxe, capoeira, idoso; ginástica localizada, projetos esportivos, cursos: educativos, alfabetização para adultos, semi-profissionalizantes. Algumas destas atividades contam com o apoio da Associação dos Moradores da Federação (AMOFE). Há também uma biblioteca disponível para a população.

Existe vários CSUs na capital como os da Vasco da Gama(Federação), Castelo Branco, Luís Anselmo, Narandiba, Cosme de Farias, Pernambués, Valéria e Portão. Há também no interior do estado como em Feira de Santana, Jequié. Recebem apoio do Estado e são mantidos pela Secretaria do Trabalho e Ação Social (SETRAS). O SETRAS ajuda doando alimentos, materiais de limpeza, materiais de escritório como papel, caneta. Todos os funcionários dos centros trabalham para o estado e prefeitura. O centro da Federação tem como coordenador Anderson Chagas.

associacao.jpgA secretária do CSU Federação, Lígia Modesto, 51, digita todos os meses, em sua máquina de escrever, relatórios informando ao SETRAS sobre as atividades que foram realizadas, o que está em falta, a pontualidade e a freqüência dos funcionários. “Meu trabalho aqui é bater a máquina de escrever”, afirmou ela.

O AMOFE utiliza algumas salas do centro para a realização de projetos que ajudam na necessidade dos moradores do bairro, como tintura em tecido, artesanato. Lá mulheres fazem costuras com retalhos de sobra de tecido e, enquanto isso conversam colocando os papos em dia. A presidente da associação Sandra Freitas, 46, diz que o projeto está devagar, mas que ela e suas parceiras fazem a divulgação em pedaços de papel e de boca em boca. Também fazem projetos para retirar crianças da ociosidade, promovendo atividades educativas com o objetivo de despertar a atenção e desenvolver a criatividade.

A associação também oferece curso de alfabetização para senhoras e curso pré-vestibular para a população que não tem condições de pagar um cursinho. Segundo Sandra três pessoas desse curso conseguiram ingressar na universidade. “Eu fiquei muito satisfeita, a associação fez até uma festa para comemorar”. Porém, hoje o curso está parado sem professores e monitores devido a falta de dinheiro. A fim de auxiliar nos estudos e em pesquisas da comunidade, foi implantada uma biblioteca que é coordenada pela presidente da AMOFE, os livros são procedentes do Instituto de Rádio Difusão da Bahia (Irdeb), Colégio Antônio Vieira e da Biblioteca de Extensão do Estado da Bahia (BIBEX).

Está sendo implantado no Centro Social o programa “Infocentro” que irá beneficiar a população que não tem acesso à informática, proporcionando a inclusão digital. Estarão disponíveis 10 computadores que funcionarão durante todo o dia com direito a Internet. A responsável pelo projeto é a assistente social Elisa Dória, 54, que é multifuncional. Além de trabalhar no incentivo a educação, também é encarregada de atender a comunidade encaminhando pessoas a hospitais, sanatórios. “Eu faço tudo aqui”, disse ela.

O centro também oferece educação para menores com idade de 4 a 5 anos, no turno matutino e vespertino, que recebe apoio do SETRAS e da Prefeitura. “Enquanto vou buscar o nosso sustento, meus filhos André e Camila estão aprendendo a ler, escrever e conviver com os coleguinhas”, comentou Valdirene Santana, 27, mãe de dois alunos do pré-escolar. De acordo com Josélia Silva, 47, professora, os alunos lhes dão respostas positivas, prestam atenção nas aulas e aprendem. Uma boa alimentação é necessária para o bom desempenho, por isso a escola fornece merenda para as crianças.

As atividades esportivas no centro são de grande importância para a população. Eles podem desfrutar de aulas de capoeira com o grupo “Kilombolas” nas segundas e quarta-feiras, boxe com o grupo “Mente Manuque” do professor Sérgio de Carvalho nas terças e quintas-feiras, ginástica localizada nas segunda, quartas e quintas-feiras. O centro também possui uma quadra de esportes.

A quadra de esportes foi reformada em janeiro deste ano, para a realização do projeto esportivo “2° Tempo”, que haviam 400 inscritos de escolas da rede estadual e municipal. Mas na conclusão da reforma, a quadra desabou por causa das chuvas que atingiam a capital, aliada aos procedimentos utilizados na construção de um posto de gasolina, que se encontra abaixo da quadra, numa encosta. Segundo a presidente do AMOFE, os responsáveis pela obra entraram num acordo social com o centro urbano. A idéia é montar uma panificadora e uma loja de artesanatos a fim de contribuir para a renda da comunidade.

Atividade com idosos
O programa “Chama Acesa” promove para a terceira idade, nas segundas, quartas e sextas-feiras durante todo o dia, atividades que trabalhem com o corpo e a mente. Nestes encontros são feitas atividades físicas, que alongam o corpo e lêem textos para a reflexão de como se deve aproveitar a vida. Elas fazem trabalhos de terapia comunitária contando casos vividos e encontrando soluções para resolver alguns problemas. Estas terapias ajudam na reintegração das idosas tornando o convívio agradável. A assistente social, Helena Brito, 47, diz que esses encontros são um lazer para os idosos que ajudam a abrir a cabeça. No projeto eles trabalham com artesanato confeccionando bonecas, bolsas, roupas, enfeites de mesa, como vasos e flores de plástico de material reciclado. Esses produtos mostram que eles são capazes de exibir suas habilidades.

O “Chama Acesa” também proporcionam palestras com profissionais do Posto de Saúde da Família da Federação, que abordam assuntos sobre a hipertensão, a diabetes, enfim o cuidado com a saúde. Promovem festas comemorando o “Dia da Avó”, o São João, Halloween.
O grupo tem aproximadamente 95 idosos, sendo que a maioria é mulher. O único homem é Luís Lima, 71. “Sinto-me privilegiado de estar num projeto como este e bem à vontade com as minhas companheiras”.

O centro oferece refeições para os idosos como café da manhã, almoço, lanche da tarde. “Todos gostam da minha comida”, afirmou a cozinheira, Maria Nascimento, 52. A refeição também chama os idosos para o programa. “A gente tem que segurar um pouco a comida, porque se não alguns deles vão embora cedo”, comentou Eliete, ssistente.
(junho de 2005)

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